quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

E o ano chega ao fim

Bom, como todo fim de ano, chega a hora de analisar como foi o desenrolar dos últimos 365 dias de sua vida. Pesar o que aconteceu de bom e ruim, e como podemos melhorar no próximo ano.

Em dezembro de 2009 eu decidi que não trabalharia mais em agência de publicidade. Não queria mais trabalhar com criação. Não queria seguir no que eu havia me formado. Um herége profissional. A decisão foi vista com olhos incrédulos e inseguros por grande parte das pessoas que eu conheço. Natural.

Porém, ainda acredito que voce deva fazer o que mais ama na vida. Só assim não ficará cansado, entedeado (nada pior que o tédio) e poderá se dedicar com verdadeira paixão. Consequentemente um bom trabalho surgirá, e o reconhecimento vai sendo plantado aos poucos. Trabalho muito mais que antigamente (não se iluda quem achar que é o contrário) mas estou feliz.

Estava com medo do tempo. Em pouquíssimos anos não teria mais como abraçar o que eu claramente nasci para fazer. E isso seria frustrante e imperdoável, já que eu tinha realizado todas as sinapses em minha cabeça que apontavam um futuro broxante e triste caso eu continuasse acomodado. Talvez bem pago, e só. É muito pouco.

Comecei do absoluto zero, apenas com o talento e força de vontade. Criei um site, blog, modelei inúmeras peças de portifolio, peguei encomendas, fiz séries especiais, trabalhos para agencias e estúdios, fiz inúmeras visitas a possíveis clientes. No últimos meses do ano ainda consegui trazer toda a produção em resina para dentro do estúdio, o que resultou numa queda nos preços das peças e um controle de qualidade melhor, feito diretamente por mim.

Sai em alguns veículos de mídia, alguns bem relevantes, outros que ningem lê. Acho que para o primeiro ano de empresa ( que dizem que é o pior) eu consegui me sair relativamente bem. Ainda tem muito o que ser feito, não consegui colocar em prática nem 10% das minhas idéias, devido a falta de tempo e o excesso de trabalho. Mas aguardem que em 2011, terei muito o que contar.

Não posso finalizar esse post tão marcante para mim, sem agradecer meus grandes amigos e familiares que fizeram de tudo para me ajudar a crescer nesse começo. Sem eles eu não sairia do lugar, isso é certeza.

Uma bom final de ano, e um belíssimo 2011 a todos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os Cabeçudos no Portal do Ig



O Portal Ig criou um hot site muito especial para essse natal. Além das tradicionais matérias de inal de ano, eles bolaram uma maneira divertida e rápida para descobrir o que dar para seu amigo secreto.

É um ''quizz'' sobre a pessoa que voce tirou. Um breve questionário com aproximadamente 10 perguntas, que voce responde pensando no sorteado, no final mostra que tipo de pessoa ela é, sentimental, divertido, intuitivo etc.

E para cada personalidade, o portal apresenta um leque de possibilidades de presentes, com os mais diversificados preços. Caso seu amigo oculto seja do tipo intuitivo, um dos presentes mostrados pelo Ig é um cabeçudo aqui do estúdio. Presente diferentão, com bom preço e cheio de personalidade.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mega satisfação - O estúdio no Abduzeedo



Nunca dediquei um post a uma divulgação do meu trabalho que tenha ocorrido na net. Claro que sei da importância da ferramenta, e quão poderosa e eficaz ela pode ser. Porém fiquei especialmente feliz com um post que o pessoal do Abduzeedo fez sobre o meu trabalho.

São referência, criteriosos e tem um baita peso no mercado. Por isso, aqui vai meu singelo agradecimento a voces, que curtiram e divulgaram meu trabalho.

Fizeram meu dia, aliás a semana.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Troféus em resina




Essa peça foi criada para uma premiação que ocorrerá na revista Monet, foram feitas 11 réplicas em resina para ser customizadas por artistas. O design desse troféu é da revista Zupi, e o processo de modelagem, molde e tiragem em resina foi feito inteiramente aqui no estúdio.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Resumo do Workshop no Pixel Show



Quando a Zupi me propos dar um Workshop de 4 horas no Pixel Show, eu confesso que apesar de minha satisfação inicial, fiquei um pouco inseguro devido ao curto período que eu teria disponível para ensinar a galera a fazer alguma coisa.

Pensei durante um bom tempo, até chegar num formato que fosse objetivo, simples para ensinar (e consequentemente aprender) e livre. Livre no sentido de não engessar os paricipantes na hora de criar. A maioria dos inscritos era ilustrador, designer, diretor de arte ou no mínimo um grande interessado em arte. Não posso colocá-los numa forma e pedir que todos sigam religiosamente cada passo que eu desse.



Deixei bem claro sobre isso já nos primeiros minutos e o resultado foi a total diversidade de personagens. Teve Mr. Magoo, David Bowie, palhaços, Gengis Khan, entre muitos outros.

Não tinha a pretensão de ensiná-los anatomia, musculatura, proporção. Quem quiser aprender de fato sobre tudo isso, eu recomendo ir a Melies ou a Inovattion e fazer um curso de alguns meses para começar a entender alguma coisa sobre essas técnicas. Coloquei na cabeça que o workshop era para quem tenha interesse em Toy art, consiga fazer sua criação, humilde ou mais pretensiosa em casa. Mas que brinque com alguma propriedade e conhecimento.

Passei os materias que eu tenho, as diferentes massas que eu uso e alguns livros de referência. Com esse conteúdo, já dá para treinar em casa, e dar vida a esses personagens.

Após pouco menos de 3 horas de workshop, quem nunca havia modelado na vida já tinha um esqueleto bem resolvido, um boneco que parava em pé e personagens bem encaminhados como esse aqui abaixo.



Acredito que os participantes tenham curtido essas horas que passamos juntos, e tenham aprendido alguma coisa. Que venham os próximos.

Ps: quem quiser ver todas as fotos acesse: http://migre.me/1Cgga

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Estúdio na Inked





Recheada de matérias bacanas, bela direção de arte, papel de qualidade e um conteúdo moderno, a revista Inked está em sua segunda edição, mas já dá para sentir que ela diz ao que veio.

Ou como a própria revista se resume no site : Uma das mais bem-sucedidas publicações de comportamento lançadas nos EUA nos últimos anos acaba de chegar ao Brasil: INKED, uma revista para quem curte música,design, moda, cultura pop, ensaios com mulheres bonitas e, claro, muita tattoo.

Recebi o convite de expor meu trabalho na seção BUY, cujo o tema do mês é cinema. Um mote que tem tudo a ver com o estúdio.

David Gilmour - encomenda exclusiva







Mais um exemplo de encomenda totalmente exclusiva, já que quando fui contatado para fazer o David, eu dei uma bela pesquisada na net atrás de algum boneco do cara. E não encontrei nada.

O cliente vai presentear o pai, que é fã do Pink Floyd, tem todos os álbuns, conhece tudo de cabo a rabo. Difícil encontrar alguma coisa que o surpreenda. Difícil mas não impossível.

Acho que essa peça ficou uma das melhores da série de músicos, claro que o rosto com traços fortes do Gilmour ajuda a criar um boneco de qualidade e muita personalidade.

Algumas das músicas que marcaram a criação da peça, já que sou também um apreciador do cara. Shine On You Crazy Diamond, Comfortably Numb, Money

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os bons e velhos heróis



Como eu disse no meu primeiro post, eu adoro o Laerte. Aprecio tudo que ele faz, inclusive aquelas coisas que eu não entendo. Curto tanto que ele foi uma das pessoas que me inspirou a trilhar o nebuloso, folclórico e apaixonante mundo da arte.

Quando eu vi esses dias que ele naturalmente disse que usava roupa de mulher ( o não tão famoso Crossdressing) eu achei curioso, talvez um pouco excêntrico, e só. Muitos podem achar estranho, coisa de afetado e tudo mais. Enfim, tanto faz.

O que eu vi foi uma forma completamente inusitada e oportuna de homenagear esse cara. Que mesmo com algumas tiras que eu não compreendo 100%, me convenceu que fazer algo tão incerto como arte pode ser muito gratificante e até divertido .

Obs: aproveitar para lembrar que amanhã ele lança seu novo álbum, Muchacha.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Projeto de Toy










Uma das coisas que faço aqui no estúdio que acho mais legal, é pegar um desenho bidimensional simples e transformá-lo numa peça 3D com detalhes, volume e vida.

Adoro criar todo o processo, e o cliente também acompanhou todas as fases através de fotos que eu fui enviando durante o projeto.

A peça foi criada com Super Sculpey, pintada com aerógrafo e com o acabamento em pincel.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um belo briefing - Cliff Burton






Trabalhei um tempo em agência de Publicidade. Foi pouco tempo, o suficiente para ficar a par do secular confronto entre a Criação (apelidados de ''criativos'') e o pessoal do atendimento. Essa briga diária está presente em toda agência, e inevitavelmente é responsável por algumas discussões bem sérias e inúmeras piadas (principalmente internas).

O problema sempre é a troca de informações. O atendimento ao passar as informações aos ''criativos'' as vezes não a passam da maneira correta. Pode faltar certo detalhe importante, ou trazer algum outro trocado, pode ter achado que sacou o que o cliente queria, quando na verdade, sua sensibilidade o trapaceou, passando aos criativos uma visão totalmente distorcida do que o cliente realmente imagina para a campanha.

Mesmo quem está de fora consegue imaginar o tamanho do problema quando a tríade Cliente - Atendimento - Criação não se entendem como deveriam.

Enfim, essa divagação toda veio em mente, pois esse último projeto que peguei, me lembrou os tempos de agência. Justamente por ter recebido um briefing tão completo do que deveria ser feito, a peça saiu como o cliente queria. Ou nas palavras da mesma ''melhor do eu imaginava''.

Eu não conhecia o Cliff Burton e sua trágica história, e tão pouco seu modo de se vestir, postura, acessórios, e tudo mais. Tudo isso foi me passado detalhadamente pela Atendimento/cliente (ela ia presentear o namorado, e ele não sabia) e toda essa atenção que ela deu ao projeto e as informações foi o que deixou a peça com tanta vida.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Boneco entregue!

Finalmente eu consegui dar a peça para o Crumb, foi na terça feira passada, dia 10 de agosto, lá na Livraria da Vila. Quero agradecer a Isabelle Faustini e seu pai que se sensibilizaram pela situação e me deram toda a letra de como eu conseguiria chegar até ele. Além de realizar um ótimo meio de campo.

Não posso deixar de mencionar o Gonçalo da revistra Trip e o Rogério da editora Conrad, o responsável pela entrega.

Obrigado a todos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Crumb na Flip



Conheci o quadrinista Robert Crumb meio tarde, foi em 2003 no filmaço ''O Anti Herói Americano'', que conta a vida de Harvey Pekar, e sua amizade com o excêntrico desenhista. Saindo do cinema, fui atrás de seus gibis, me apaixonei por seu trabalho e assim peguei gosto pela criação mais underground e subversiva nos quadrinhos.

Gostei muito do Crumb por alguns motivos. Por ele ter encabeçado um movimento cultural praticamente sozinho, por seu traço (que mudou muito durante os anos), sua ironia e predisposição natural para ser ácido e subversivo. Acabei comprando os gibis que a Editora Conrad lançou aqui no Brasil, e estou sempre relendo seus trabalhos.

Quando li que ele participaria da Flip desse ano, eu prontamente agilizei meu convite e estadia. E já que estaria tão próximo, pensei em entregar alguma peça diretamente para ele.

Demorei um bom tempo pensando em qual peça criar. Tentei lembrar de suas estórias, do documentário ''Crumb'', o que poderia agradá-lo? Acho que os clássicos Fritz the cat, Mr. Natural e outros personagens dos anos 60, ficaram para trás. São estórias de 40 anos que eu acredito que ele nem queira mais falar sobre isso. Pensei em fazer ele e o Harvey Pekar, só que o Harvey acabou de morrer, não sei como ele reagiu a isso. Finalmente cheguei a mais óbvia das idéias: uma mulher. Gigante, desproporcional, bunduda, e tudo que remete as suas obsessões sexuais. Disso ele ainda gosta, pensei.

Fiz a peça montando um mosaico de vários desenhos diferentes dessas Pin Ups gigantes. Fiz um fundo, coloquei na cúpula e levei para Paraty.

Cheguei na Flip e me impressionei com o número de pessoas nas ruas e a demora nos restaurantes. Passei a tarde passeando, e me informei com a organização do evento como eu poderia entregar em mãos minha peça. Recebi um balde de água fria. Ele ia acabar a palestra e imediatamente ir para outra tenda onde seria distribuidos autógrafos. Apenas 50, com senha dada durante a palestra. Ou seja, ou voce via a palestra, ou ficava numa fila gigante e torcia para pegar uma senha. Com tudo pago, e realmente querendo ver o que ele tinha a dizer, optei em ver a palestra.

Voltei para a pousada, e cheguei na frente da tenda com 30 minutos de antecedência. Fiquei chocado com a imensa fila que havia se formado. ''Esse pessoal todo está aqui para ver o Crumb?'', é o que não saia da minha cabeça. Deu o horário e os portões se abriram, a multidão entrou entusiasmada. Peguei um lugar lá no fundo, fiquei impressionado com o tamanho do local. 900 pessoas estavam sentadas para ver o quadrinista.

10 minutos depois, entrou Crumb, Gilbert Shelton e Sergio Davilla que faria a mediação da conversa. Ele entrou meio curvado, chapéu e terno preto, visivelmente desconfortável. Sentou na cadeira do meio, deu de ombros e suspirou. Aquilo seria uma tortura para ele.

Enquanto Sergio fazia as apresentações, Crumb colocava a mão na testa para conseguir ver quantas pessoas estavam na platéia. Ele não parava de fazer isso, o que já gerou alguns risos da multidão. Quando chegou sua vez de falar, ele já disse: ''o que voces estão fazendo aqui? Se voces gostam do meu trabalho, ótimo, mas eu sou chato e velho''. Gargalhadas.

Os fotógrafos estavam há dois metros de distância, metralhando seus flashes contra o quadrinista. ''Isso é muito desconfortável. Todas essas pessoas e esse fotógrafos''. A primeira pergunta: é verdade que voce veio para cá obrigado pela sua mulher? ''Sim, eu não sou muito de viajar''. Dali já deu para sentir o climão.

Não que tenha sido chato a próxima hora de conversa, pelo contrário, foi incrível ver de perto que aquilo tudo que ele já disse em suas estórias, entrevistas e documentário era extremamente real. Toda sua excentricidade, timidez e desconforto frente ao público estava ali. Sem maquiagem ou edição.

As perguntas foram meio óbvias, e de nada me acresentou. O mais divertido foi observar seus maneirismos, postura e como tudo isso é captado com extrema precisão em seus auto retratos. O mediador pergunta: me fale um pouco da criação do livro ''Genesis''. ''O que voce quer saber?''. Ele responde num tom meio tímido. Quando perguntado sobre suas obsessões sexuais, ele disse que não se reconhece mais naqueles desenhos, estava velho. ''Quem foi o lunático que desenhou isso?'' ele brinca. Talvez a peça que eu pensava em entregar, não teria mais o efeito que eu imaginava.

Nem preciso dizer que Gilbert Shelton ficou meio apagado. O engraçado é que ele estava muito afim de falar, respondia tudo com clareza e muita simpatia. Mas as perguntas não chegavam. A coisa piorou muito quando a mulher do Crumb, a também quadrinista Aline Kominsky, foi convidada a subir no palco. Aí ele praticamente não falou mais nada, só deu ela falando do trabalho dela, e das estórias que eles faziam juntos. Achei desnecessário e uma perda de tempo.

Deu uma hora exata de conversa e Sergio Davilla finalizou. Crumb disse ''acabou??'', e já levantou na hora, não agradeceu, não deu tchau, nada. Colocou os braços nos ombros de Aline e saiu pela coxia.

Na outra tenda, a multidão já se empoleirava para ganhar um autógrafo. Curto o trabalho do cara, mas não sou um fanático desesperado (que inclusive ele detesta). Perdi completamente a vontade de entregar a peça. Eu teria que enfrentar uma verdadeira epopéia, além de notar que ele estava deslocado e desconfortável durante toda a palestra, ele só queria acabar logo com aquilo tudo.

O mais próximo que cheguei dele foi quando as perguntas da platéia foram lidas (apenas duas) e uma delas foi a minha. ''Depois de tantos anos de trabalho e sucesso, existe algo para ser criado?'' Sua resposta: ''não...''.

Fiquei tranquilo em trazer a Pin Up de volta para casa.