

Tim Burton teve uma infância peculiar. Passava seu tempo lendo contos de Edgar Allan Poe e vendo inúmeros filmes de terror. Gabaritou dos grandes clássicos aos mais obscuros de baixo orçamento. Seu grande ídolo nessa importante fase foi o ator americano com pinta de europeu Vincent Price.
Com seus vinte e poucos anos, Burton passou um breve período na Disney como assistente. Em pouco tempo, desejou criar algo que fugisse do estilo dócil e perfeito do estúdio. Uma obra mais pessoal, livre. Resumindo, um filme sombrio, assimétrico e com seu peculiar toque de humor. Desse anseio nasceu sua primeira obra de maior relevância, uma homenagem ao seu ator preferido: Vincent curta metragem de 1982.
Com jeitão auto biográfico, o curta conta a estória de Vincent Malloy, um garoto de sete anos que passa boa parte do tempo vivendo num universo particular. Nele, o herói é ele mesmo numa versão infantil de Vincent Price. Passando dias sombrios em seu sinistro castelo, está alma atormentada vive em meio a bizarras experiências genéticas, cães zumbis e a escuridão. Isso narrado poeticamente pelo próprio Price.
Após o relativo sucesso desse curta, veio Os fantasmas se divertem, Batman 1 e 2, Edward mãos de tesoura e o resto nós já conhecemos. Sou grande fã do Tim Burtom desde essa época. Acho, que Os fantasmas se divertem de 1987 ainda é um dos seus melhores filmes. Ali aconteceu sua grande estréia, nesse filme que fomos apresentados ao seu estilo único de contar uma história, tanto a narrativa como em sua maravilhosa direção de arte.
Criei essa peça para contar como eu imagino que tudo isso tenha acontecido nesse universo particular do diretor. Tomando a liberdade de beber da fonte Tim Burton na direção de arte, eu mostro o velho Vincent Price dramatizando algum sombrio conto de Edgar Allan Poe ao impressionado e fértil Vincent/Tim. Alimentando sua cabeça com imagens que mais tarde virariam fantásticos filmes.
Obs: Price também atuou em ‘’Edward mãos de tesoura’’, era o idoso cientista que havia criado o Edward.